Telas na Infância: Em entrevista à WebTV Triângulo, pesquisador da UEMG Ituiutaba orienta famílias sobre limites e educação digital
Em uma era na qual os smartphones e tablets se tornaram quase extensões da rotina, pais, mães e educadores de todo o Triângulo Mineiro enfrentam o mesmo desafio diário: compreender o impacto real das telas no desenvolvimento infantil. Para aprofundar o tema, o videocast Psico em Foco, veiculado pela WebTV Triângulo, colocou em debate as evidências científicas e a realidade observada diretamente na comunidade escolar de Ituiutaba.
A discussão teve como base os trabalhos desenvolvidos na Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG – Unidade Ituiutaba), com foco nas atividades do Laboratório de Avaliação Psicológica e Mídias Digitais (LAPMID), espaço voltado para pesquisas em cyberpsicologia, neurodesenvolvimento e avaliação comportamental de crianças e adolescentes.
Qualidade e contexto superam a simples contagem de horas
O debate destacou que a análise científica sobre mídias digitais superou a visão restrita apenas ao tempo cronometrado no relógio. Embora diretrizes de saúde pública e da Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendem tela zero até os dois anos de idade e períodos controlados nas etapas seguintes, a forma de consumo e o ambiente são fatores determinantes.
A abordagem atual aponta que os dispositivos não devem ser classificados de forma simplista como vilões absolutos. A relevância está nos tipos de conteúdos acessados, na mediação feita pelos responsáveis e, principalmente, no que está deixando de ser vivenciado enquanto a criança permanece conectada.
A Hipótese do Deslocamento e os sinais de alerta
O ponto central da reflexão é a chamada Hipótese do Deslocamento, conceito que avalia o quanto as atividades virtuais substituem experiências fundamentais do mundo real.
A proximidade física com celulares e tablets e a emissão contínua de luz afetam diretamente a produção de melatonina, hormônio responsável pelo sono, trazendo prejuízos documentados quando o acesso ocorre antes de dormir. Além disso, a troca de brincadeiras ao ar livre e movimentos corporais pelo sedentarismo diante da tela prejudica o desenvolvimento de habilidades motoras, de linguagem e de socialização.
A identificação de um uso problemático exige atenção a critérios práticos do dia a dia:
Prejuízo funcional: O sinal de alerta surge quando a criança ou jovem deixa de realizar tarefas básicas, apresenta queda de desempenho escolar, negligencia hábitos de higiene pessoal ou passa a depender do aparelho para conseguir se alimentar.
Substituição gradual: Casos que demandam intervenção não devem ser tratados com cortes drásticos, que costumam gerar reatividade e conflitos comportamentais. O caminho indicado é o restabelecimento do equilíbrio por meio da reocupação do tempo com atividades práticas, como passeios em parques, esportes, convivência entre irmãos e tempo de qualidade em família.
Atuação prática nas escolas de Ituiutaba
A integração entre pesquisa acadêmica e a comunidade tijucana tem ocorrido de forma prática. Estudos sobre o impacto das mídias e a mediação familiar já alcançaram turmas de instituições locais, como a Escola Municipal Machado de Assis, a E.M. Manoel Alves Vilela e a Escola Estadual Israel Pinheiro.
A proposta dessas iniciativas é retornar o conhecimento aos pais em encontros escolares voltados à educação digital preventiva. No âmbito comunitário, a UEMG também mantém o projeto de extensão em Psicodiagnóstico Infantojuvenil, responsável pelo atendimento e acolhimento gratuito de dezenas de famílias no município ao longo dos últimos quatro anos.
O exemplo dentro de casa
O equilíbrio na infância começa pelo comportamento dos próprios responsáveis. Estudos recentes apontam que o padrão de uso de tecnologia por parte dos pais reflete diretamente nos hábitos das crianças.
Dessa forma, qualquer estratégia eficaz de educação digital exige primeiro uma reflexão e moderação no uso dos dispositivos pelos adultos, que funcionam como os principais modelos comportamentais dentro do lar.
Onde acompanhar
A íntegra da gravação está disponível no canal da WebTV Triângulo no YouTube:
Vídeo completo: WebTV Triângulo – Psico em Foco: Mídias na Infância
Informações e projetos locais: As iniciativas sobre mídias digitais e avaliação psicológica podem ser acompanhadas pelo perfil @lapmid nas redes sociais ou presencialmente no campus da UEMG Ituiutaba (Bloco A2, Sala 09).
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