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A dor não precisa ser o capítulo final”: Em podcast, pastor e estudante de psicologia debatem prevenção ao suicídio

A dor não precisa ser o capítulo final”: Em podcast, pastor e estudante de psicologia debatem prevenção ao suicídio

Em alusão à campanha do Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização e prevenção do suicídio, o programa Psico em Foco, transmitido pela Webtv Triângulo, reuniu fé e ciência para discutir o sofrimento emocional sob uma perspectiva integral. Apresentado por Fernanda e Carolzinha, o episódio teve como convidados o pastor e psicólogo Marcos de Almeida e a acadêmica de Psicologia Camila.

A conversa abordou a evolução do conceito de cuidado à saúde — que hoje avança do modelo biopsicossocial para o biopsicossocial e espiritual — e enfrentou tabus históricos que ainda cercam as doenças mentais dentro de comunidades religiosas e na sociedade em geral.

Adoecimento emocional não é falta de fé

Um dos pontos mais discutidos foi a persistência do estigma de que transtornos como ansiedade e depressão seriam reflexo de “falta de oração” ou “fraqueza espiritual”. O pastor Marcos pontuou que essa ideia equivocada decorre da falta de instrução de algumas lideranças e reforçou que a fé não anula os limites biológicos e psicológicos do ser humano.

“Pessoas de fé também sofrem. A Bíblia mostra grandes homens de fé enfrentando momentos de colapso emocional, como o profeta Elias, que chegou a desejar a morte no deserto, e o próprio rei Davi com a alma abatida. A fé não exclui a ciência; o próprio Deus capacitou a medicina e as terapias para promoverem a restauração da saúde. Não é preciso escolher entre orar e buscar um médico”, enfatizou o líder religioso, compartilhando que ele próprio já enfrentou crises de pânico no passado e precisou recorrer ao suporte médico e psicológico.

Marcos ressaltou que, na atuação pastoral, encaminhar imediatamente fiéis com sofrimento psíquico para psicólogos e psiquiatras é uma prioridade ética: “A gente tem que ter a sensibilidade de entender que o nosso papel tem limites. A fé entra como um suporte, um braço a mais, mas ela não substitui a conduta clínica e o tratamento adequado”.

Sinais silenciosos e o papel da rede de apoio

Durante o bate-papo, a estudante de Psicologia Camila destacou que o sofrimento mental costuma se manifestar de maneira gradual e sorrateira. Muitas vezes, a pessoa em crise retira-se do convívio, abandona hábitos prazerosos e negligencia o autocuidado básico antes de conseguir verbalizar a dor.

“A depressão e a ansiedade vêm no sapatinho. Quando a pessoa percebe, já foi tomada por aquele sentimento. Por isso, ter uma rede de apoio ativa — sejam amigos, familiares ou comunidade — é vital para notar essas mudanças sutis de comportamento. As pessoas não devem esperar chegar ao limite para buscar acolhimento”, pontuou Camila.

Ela explicou também que, embora a psicoterapia e o apoio comunitário sirvam de pontes seguras, o paciente é o protagonista da própria reconstrução emocional: “O terapeuta caminha junto e ajuda a abrir caminhos, mas quem atravessa a ponte e dá novos sentidos à vida é a própria pessoa, vivendo um dia de cada vez”.

O papel social e comunitário da Igreja

Outro aspecto ressaltado pelo pastor Marcos foi a capacidade de mobilização das comunidades religiosas para atuar em fatores determinantes da saúde mental, como a vulnerabilidade social e o isolamento. Ele destacou que a igreja tem capilaridade para oferecer suporte material, promover oportunidades e acolher famílias em crise quando os indivíduos não encontram amparo em outros espaços.

Contudo, os participantes reforçaram a necessidade de respeito mútuo aos limites de cada área: os líderes religiosos e os profissionais de saúde precisam caminhar lado a lado, sem julgamentos e sem invadir as competências éticas uns dos outros, sempre priorizando a preservação da vida.

“A sua dor não resume a sua história”

Ao final do episódio, os convidados deixaram mensagens de esperança direcionadas a quem enfrenta angústias profundas ou pensamentos autodestrutivos.

“A dor não precisa ser o capítulo final. Talvez hoje você não consiga enxergar o amanhã, mas quando encontramos alguém de confiança para caminhar junto, a névoa vai baixando e um novo horizonte se abre. Não carregue o peso sozinho”, concluiu Marcos.

Camila finalizou orientando as pessoas a validarem suas próprias dores e a buscarem ambientes onde se sintam acolhidas: “Falar cura. Entregue-se ao processo, confie no valor da escuta e procure auxílio profissional. Sua vida tem propósito e você não está sozinho nessa caminhada”.

Para assistir à íntegra da entrevista e acompanhar as reflexões do episódio especial do ‘Psico em Foco’, acesse a transmissão no canal da Webtv Triângulo no YouTube:

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